segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Palácio dos Campos Elíseos - antigo Palácio do Governo



Um dos mais belos edifícios da cidade de São Paulo, o Palácio dos Campos Elíseos, foi fruto da fortuna cafeeira do fim do século XIX. Pertencente ao rico Elias Antonio Pacheco e Chaves, o projeto arquitetônico dessa obra de arte é do arquiteto alemão Matheus Haüssler.
O edifício, que fica localizado na antiga Chácara dos Bambus, atual Avenida Rio Branco, é uma réplica do famoso Castelo de Écouen, hoje museu da Renascença, na França. A construção do palacete teve início no ano de 1896 e acabou em 1899. Na época de sua conclusão, a casa possuía diversos espelhos venezianos, lustres de Baccarat, maçanetas de porcelana e carvalho francês.
Grande parte do material utilizado em sua construção foi importado dos Estados Unidos e de vários países da Europa. A madeira da construção era trabalhada por carpinteiros de Santo Amaro e o penoso transporte desse material era feito por carros de bois em uma viagem de aproximadamente oito dias.
No ano de 1911, o palacete foi comprado pelo Estado e virou, posteriormente, uma das sedes do governo paulista. De Palacete Elias Chaves ele passou a ser chamado de Palácio dos Campos Elíseos. Por ele, passaram governantes como: Rodrigues Alves, Altino Arantes, Washington Luís, Armando Salles de Oliveira e Jânio Quadros.
No ano de 1924, quando aconteceu uma revolta contra o governo de Artur Bernardes, o palácio chegou a sofrer com bombardeios, cenário não muito diferente da revolta de 32, quando as tensões nervosa circulavam o edifício.
Inúmeros convidados ilustres hospedaram-se no Palácio: Rei Alberto da Bélgica; Cardeal Eugênio Paccelli (mais tarde Papa Pio XII); Príncipe de Gales e seu irmão; o Presidente Somoza da Nicarágua; General Dwight Eisenhower; o Presidente de Portugal General Craveiro Lopes e o astronauta Yuri Gagarin. Em 1965, a sede do governo foi transferida para o Palácio dos Bandeirantes, mas o Campos Elíseos ainda era utilizado pelo Executivo.
No dia 17 de outubro de 1967, um terrível incêndio destruiu quase totalmente o palácio. O prédio, que vinha sofrendo uma intensa reforma, estava praticamente pronto para receber à família do governador, quando um incêndio começou no telhado do edifício.
O fogo começou por volta das 19h40 e foram quinze minutos de intenso pânico e correria dos empregados de dentro da casa. Todas as pessoas conseguiram ser retiradas com segurança e, o governador, estava despachando do Palácio dos Bandeirantes.
A partir de então, o governo mudou sua sede oficial para o Palácio dos Bandeirantes e o palacete dos Campos Elíseos foi restaurado e utilizado por diversas repartições públicas. Durante muito tempo, entretanto, ele acabou sendo “gasto” com os trabalhos diários e, em 2006, foi dado início a um projeto para recuperar suas características originais.
Entre os anos de 2008 e 2009, sua fachada foi totalmente restaurada. O edifício serviu, durante muito tempo, como sede para a  Secretaria da Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo. Atualmente, encontra-se fechado para o processo final de restauração.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Monumento às Bandeiras


O Monumento das Bandeiras é uma obra-prima, do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret, localizado na cidade de São Paulo.
O escultor Victor Brecheret costumava dizer que o Monumento às Bandeiras, instalado na Praça Armando Salles de Oliveira, no Ibirapuera, era a obra de sua autoria com que mais se identificava. “Passei quase 30 anos de minha vida me dedicando a ela”, afirmava o artista em entrevistas. A ideia da criação do monumento surgiu em 1921, logo após a Primeira Guerra Mundial.
Na época, o jovem e desconhecido escultor contou com o apoio dos modernistas Oswald de Andrade e Di Cavalcanti.
A obra só começaria a sair do papel em 1936. Até 1953 - quando foi finalmente inaugurada - a finalização do monumento esteve sujeita a situações peculiares das administrações que se sucederam no período. Armando Salles de Oliveira foi o primeiro a tomar providências para a produção da peça, reservando 2900 contos de réis para a construção.
No entanto, uma semana depois de assinar o contrato com o artista, o político deixou o governo para candidatar-se à Presidência da República. A partir de 1939, as obras praticamente pararam. Em 1945, o Estado fez um acordo com o então prefeito Prestes Maia: ele assumiria a responsabilidade pela construção e o trabalho foi retomado.
Os 240 blocos de granito que formam a obra - com cerca de 50 toneladas cada - foram trazidos de uma pedreira em Mauá. Transportá-los nas estradas de terra foi uma operação difícil.
Finalmente, em 25 de janeiro de 1953 (durante as comemorações do 399º aniversário da cidade de São Paulo), a obra foi inaugurada. Com 12 metros de altura, 50 de extensão e 15 de largura, representa uma expedição bandeirante subindo um plano, com dois homens a cavalo. Uma das imagens representa o chefe português e a outra, o guia índio.
Atrás deles, há um grupo formado por índios, negros, portugueses e mamelucos, que puxa a canoa das monções, usada pelos bandeirantes nas expedições pelos rios. As raças podem ser identificadas por detalhes nas estátuas: os portugueses apresentam barbas e as figuras nuas, com uma cruz ao pescoço são os índios catequizados.
A obra foi instalada no sentido de entrada dos bandeirantes pelo interior, no eixo sudeste-noroeste. Na frente do monumento, um mapa de Afonso Taunay, esculpido no granito, mostra o roteiro das expedições com os nomes de alguns bandeirantes famosos, entre eles Fernão Dias, Anhanguera, Borba Gato e Raposo Tavares.
Versos dos poetas Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo lembram as bandeiras em placas nas laterais da escultura.
O monumento é conhecido pela população pelos apelidos carinhosos que recebeu ao longo do tempo, como “empurra-empurra”, “deixa que eu empurro” ou “não empurra”

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Árvore de Natal

O costume de enfeitar árvores é mais antigo que o próprio Natal. Já antes de Cristo praticamente todas as culturas e religiões pagãs usavam enfeites em árvores para celebrarem a fertilidade da natureza.

Os romanos adornavam as árvores em honra de Saturno, que era o seu Deus da agricultura.

No Egito era hábito, no solstício de inverno, trazerem ramos verdes para dentro das suas casas, como forma de celebrarem a vitória da vida sobre a morte.

Os druidas celtas, em épocas festivas, decoravam os carvalhos com maçãs douradas.

Os primeiros registros da adoção da árvore de Natal pelo cristianismo surgem do norte da Europa no começo do século XVI, embora tudo indique que por essa altura já era uma tradição vinda da época medieval, pois há registros de “Árvores de Natal” na Lituânia cerca do ano de 1510.

No antigo calendário cristão, o dia 24 de dezembro era dedicado a Adão e Eva e a sua  história costumava ser encenada nas igrejas. Como representação do paraíso era usada uma árvore carregada de frutos.

Os cristãos ganharam, então, o hábito de montar essa alegoria em suas casas com árvores que, com o passar dos tempos, foram ficando cada vez mais decoradas: as estrelas simbolizando a Estrela de Belém, as velas simbolizando a luz de Cristo e as rosas em homenagem à Virgem Maria.

Durante os séculos XVII e XVIII este hábito tornou-se tão popular entre os povos germânicos, que estes atribuíram a criação da árvore de Natal ao seu congênere Martinho Lutero, fundador do protestantismo. Reza a lenda germânica que Lutero ao passear durante uma noite limpa pela floresta, observou o efeito das estrelas no topo das árvores e trouxe essa imagem para a sua família na forma de uma árvore com uma estrela no topo e decorada com velas.

Mas foi só durante o século XIX que a árvore de Natal começou a se difundir pelo resto do mundo, graças à contribuição da monarquia britânica. O príncipe Alberto, marido de origem alemã da rainha Vitória, montou uma Árvore de Natal no palácio real britânico. Foi então tirada uma fotografia da família real junto à árvore, fotografia essa que foi publicada na revista “Illustrated London News”, no Natal de 1846.

No entanto, como o uso de árvores adornadas tem origem pagã, a adoção da Árvore de Natal foi muito mais rápida nos países nórdicos e no mundo anglo-saxônico.

Já nos países católicos, a Árvore de Natal foi ganhando aceitação muito lentamente, pois a tradição de Natal eram os presépios, como única decoração da sua celebração.

Só a partir de meados do século XX é que a Árvore de Natal começou a ser mais aceita, já que antes dessa altura era pouco popular nas cidades e completamente ignorada nas zonas rurais.

Mas o tempo não parou e o costume começou a enraizar-se e, atualmente, já faz parte da tradição natalícia.

fonte: origemdascoisas.com

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Dia da Consciência Negra



O Dia da Consciência Negra surgiu para lembrar o quanto os negros sofreram, desde a colonização do Brasil, suas lutas, suas conquistas. Mas também serve para homenagear àqueles que lutaram pelos direitos da raça e seus principais feitos.
Na data são realizados congressos e reuniões discutindo-se a história de preconceito racial que sofreram, a inferioridade da classe no meio social, as dificuldades encontradas no mercado de trabalho, a marginalização e discriminação, tratando-se também de temas como beleza negra, moda, conquistas, etc.
O dia 20 de novembro faz menção à consciência negra, a fim de ressaltar as dificuldades que os negros passam há séculos.
A escolha da data foi em homenagem a Zumbi, o último líder do Quilombo dos Palmares, em consequência de sua morte. Zumbi foi morto por ser traído por Antônio Soares, um de seus capitães.
A localização do quilombo ficava onde é hoje o estado de Alagoas, na Serra da Barriga.
O Quilombo dos Palmares foi levantado para abrigar escravos fugitivos, pois muitos não suportavam viver tendo que aguentar maus tratos e castigos de seus feitores, como permanecerem amarrados aos troncos, sob sol ou chuva, sem água e sofrendo com açoites e chicotadas. O local abrigou uma população de mais de vinte mil habitantes.
Ao longo da história, os negros não foram tratados com respeito, passando por grandes sofrimentos. Pelo contrário, foram escravizados para prestar serviços pesados aos homens brancos, tendo que viver em condições desumanas, amontoados dentro de senzalas.
Muitas vezes suas mulheres e filhas serviam de escravas sexuais para os patrões e seus filhos, feitores e capitães do mato, que depois as abandonavam.
As casas dos escravos eram de chão batido, não tinham móveis nem utensílios para cozinhar. As esposas dos barões é quem lhes concedia alguns objetos, para diminuir as dificuldades de suas vidas. Nem mesmo estando doentes eram tratados de forma diferente, com respeito e dignidade. Ficavam sem remédios e sem atendimento médico, motivo pelo qual inventaram medicamentos com ervas naturais, ações aprendidas com os índios durante o período de colonização.
Algumas leis foram criadas para defender os direitos dos negros, pois muitas pessoas não concordavam com a escravização. A Lei do Ventre Livre foi a primeira delas, criada em 1871, concedendo liberdade aos filhos dos escravos nascidos após a lei. No ano de 1885, criaram a Lei dos Sexagenários, dando liberdade aos escravos com mais de sessenta anos de idade.
Porém, com a Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, foi que os escravos conquistaram definitivamente sua liberdade.
O grande problema dessa libertação foi que os escravos não sabiam realizar outro tipo de trabalho, continuando nas casas de seus patrões, mesmo estando libertos. Com isso, a tão esperada liberdade não chegou por completo.
As oportunidades de vida que tiveram eram limitadas apenas aos trabalhos pesados, como não haviam estudado e não aprenderam outros ofícios além dos braçais, porém, alguns conseguiram emprego no comércio.
 fonte: mundoeducacao

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Proclamação da República



A Proclamação da República Brasileira aconteceu no dia 15 de novembro de 1889. Resultado de um levante político-militar que deu inicio à República Federativa Presidencialista. Fica marcada a figura de Marechal Deodoro da Fonseca como responsável pela efetiva proclamação e como primeiro Presidente da República brasileira em um governo provisório (1889-1891).
Marechal Deodoro da Fonseca foi herói na guerra do Paraguai (1864-1870), comandando um dos Batalhões de Brigada Expedicionária. Sempre contrário ao movimento republicano e defensor da Monarquia como deixa claro em cartas trocadas com seu sobrinho Clodoaldo da Fonseca em 1888 afirmando que apesar de todos os seus problemas a Monarquia continuava sendo o “único sustentáculo” do país, e a república sendo proclamada constituiria uma “verdadeira desgraça” por não estarem, os brasileiros, preparados para ela.

A crise no Império
O ultimo gabinete ministerial do Império, o “Gabinete Ouro Preto”, sob a chefia do Senador pelo Partido Liberal Visconde do Ouro Preto, assim que assume em junho de 1889 propõe um programa de governo com reformas profundas no centralismo do governo imperial. Pretendia dar feição mais representativa aos moldes de uma monarquia constitucional, contemplando aos republicanos com o fim da vitaliciedade do senado e adoção da liberdade de culto. Ouro Preto é acusado pela Câmara de estar dando inicio à República e se defende garantindo que seu programa inutilizaria a proposta da República. Recebe críticas de seus companheiros do Partido Liberal por não discutir o problema do Federalismo.
Os problemas no Império estavam em várias instâncias que davam base ao trono de Dom Pedro II:
A Igreja Católica: Descontentamento da Igreja Católica frente ao Padroado exercido por D. Pedro II que interferia em demasia nas decisões eclesiásticas.
O Exército: Descontentamento dos oficiais de baixo escalão do Exército Brasileiro pela determinação de D. Pedro II que os impedia de manifestar publicamente nos periódicos suas críticas à monarquia.
Os grandes proprietários: Após a Lei Áurea ascende entre os grandes fazendeiros um clamor pela República, conhecidos como Republicanos de 14 de maio, insatisfeitos pela decisão monárquica do fim da escravidão se voltam contra o regime. Os fazendeiros paulistas que já importavam mão de obra imigrante, também estão contrários à monarquia, pois buscam maior participação política e poder de decisão nas questões nacionais.
A classe média urbana: As classes urbanas em ascensão buscam maior participação política e encontram no sistema imperial um empecilho para alcançar maior liberdade econômica e poder de decisão nas questões políticas.

A Proclamação da República
A República Federativa Brasileira nasce pelas mãos dos militares que se veriam a partir de então como os defensores da Pátria brasileira. A República foi proclamada por um monarquista. Deodoro da Fonseca assim como parte dos militares que participaram da movimentação pelas ruas do Rio de Janeiro no dia 15 de Novembro pretendiam derrubar apenas o gabinete do Visconde de Ouro Preto. No entanto, levado ao ato da proclamação, mesmo doente, Deodoro age por acreditar que haveria represália do governo monárquico com sua prisão e de Benjamin Constant, devido à insurgência dos militares.
A população das camadas sociais mais humildes observam atônitos os dias posteriores ao golpe republicano. A República não favorecia em nada aos mais pobres e também não contou com a participação desses na ação efetiva. O Império, principalmente após a abolição da escravidão tem entre essas camadas uma simpatia e mesmo uma gratidão pela libertação. Há então um empenho das classes ativamente participativas da República recém-fundada para apagar os vestígios da monarquia no Brasil, construir heróis republicanos e símbolos que garantissem que a sociedade brasileira se identificasse com o novo modelo Republicano Federalista.

A Maçonaria e o Positivismo
O Governo Republicano Provisório foi ocupado por Marechal Deodoro da Fonseca como Presidente, Marechal Floriano Peixoto como vice-presidente e como ministros: Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o Almirante Eduardo Wandenkolk, todos os presentes na nata gestora da República eram membros regulares da Maçonaria Brasileira. A Maçonaria e os maçons permanecem presentes entre as lideranças brasileiras desde a Independência, aliados aos ideais da filosofia Positivista, unem-se na formação do Estado Republicano, principalmente no que tange o Direito.
A filosofia Positivista de Auguste Comte esteve presente principalmente na construção dos símbolos da República. Desde a produção da Bandeira Republicana com sua frase que transborda a essência da filosofia Comteana “Ordem e Progresso”, ou no uso dos símbolos como um aparato religioso à religião republicana. Positivistas Ortodoxos como Miguel Lemos e Teixeira Mendes foram os principais ativistas, usando das alegorias femininas e o mito do herói para fortalecer entre toda a população a crença e o amor pela República. Esses Positivistas Ortodoxos acreditavam tão plenamente em sua missão política de fortalecimento da República que apesar de ridicularizados por seus opositores não esmorecem e seguem fortalecendo o imaginário republicano com seus símbolos, mitos e alegorias.
A nova organização brasileira pouco ou nada muda nas formas de controle social, nem mesmo há mudanças na pirâmide econômica, onde se agrupam na base o motor da economia, e onde estão presentes os extratos mais pobres da sociedade, constituída principalmente por ex-escravizados e seus descendentes. Já nas camadas mais altas dessa pirâmide econômica organizam-se oligarquias locais que assumem o poder da máquina pública gerenciando os projetos locais e nacionais sempre em prol do extrato social ao qual pertencem. Não há uma revolução, ou mesmo grandes mudanças com a Proclamação da República, o que há de imediato é a abertura da política aos homens enriquecidos, principalmente pela agricultura. Enquanto o poder da maquina pública no Império estava concentrado na figura do Imperador, que administrava de maneira centralizadora as decisões políticas, na República abre-se espaço de decisão para a classe enriquecida que carecia desse poder de decisão política.
fonte: infoescola

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Jardim da Luz


Pouco antes dos anos 1800, a cidade de São Paulo ganhou um importante ponto turístico e de relaxamento para os paulistanos. O chamado Parque da Luz, inaugurado como Jardim Botânico, começou suas atividades em 1798 e foi o primeiro jardim público da nossa cidade. Dez anos mais tarde, o presidente da província Rafael Tobias escrevia em seu relatório: “Continua-se a trabalhar no Jardim estabelecido nesta cidade; ainda que seja uma despesa que mais toca ao agradável do que ao útil, não se pode dispensar, uma vez que ele já serve de recreio aos cidadãos em certos dias, e não é conveniente abandonar uma obra começada, perdendo-se o que está feito”.

Em 1860, parte das terras do Jardim Público da Luz (cerca 44 metros) foi entregue à Companhia Inglesa para a construção da estação da estrada de ferro, a futura Estação da Luz. Mais para o final do século, outros lotes de terra foram cedidos para a construção do Colégio Prudente de Morais e do Liceu de Artes e Ofícios. Restou hoje uma área de 113.400 metros quadrados.

O problema é que, até meados do século XIX, a população não frequentava o Jardim Público da Luz. O viajante Frédéric Houssay observa em 1862: “Jamais encontrei alguém ali que não fosse o seu velho jardineiro alemão”.

Na verdade, o Jardim Público da Luz só se tornou popular no governo de João Teodoro (1872-1875), quando, depois de reformas que incluíram a instalação de um observatório astronômico, cumpriu o papel de parque de lazer para a população, local de passeio das famílias, ponto de encontro dos passageiros que desembarcavam na Estação da Luz, vindos de Santos ou do interior. Anos mais tarde, em 1883, o parque receberia iluminação elétrica. No governo do prefeito Antônio Prado (1899-1910), o jardim passou por novos melhoramentos, como calçamentos, construção de tanques e bancos.

O viajante francês Paul Adam deixou registrado em 1914: “Aos domingos, no Jardim da Luz, é agradável ver esse povo energético, bem trajado, entregar-se aos prazeres da ginástica e da patinação, por entre o emaranhado das mais belas árvores tropicais, diante dos quiosques onde as mulheres em sua elegância saboreiam sorvetes, bebem refrescos. É a vida sadia e limpa”.
A população paulistana, portanto, passou a frequentar regularmente o Jardim da Luz, aos domingos e feriados, quando, ao som das bandas de música, passeava entre plantas, árvores centenárias, lagos e animais – preguiças, zebras, jaburus, garças, pavões, girafas, tamanduás, onças, peixes, entre outros.
Com a degradação da região central da cidade, a partir da década de 1970, o Jardim da Luz ficou praticamente entregue à prostituição, tráfico de drogas, contrabando e outras atividades criminosas. A população afastou-se do local, considerado perigoso. No final da década de 1990, entretanto, o governo assumiu a recuperação do Jardim da Luz. O coreto foi restaurado, bem como o lago e os caminhos. O lugar recuperou o seu caráter público; ali crianças, jovens, namorados e idosos podem esquecer o tumulto da cidade e realizar um agradável passeio entre árvores majestosas e esculturas de artistas brasileiros. 

O parque é rodeado de outras atrações, como a Estação da Luz, Pinacoteca, Museu da Língua Portuguesa (agora fechado após o incêndio), Museu de Arte Sacra, Sala São Paulo, Rua José Paulino e demais ruas comerciais. Possui acesso fácil por metrô, trem, ônibus e inclusive a ciclofaixa aos domingos passa na sua entrada principal, na Praça da Luz. Vale reservar uma manhã ou tarde para conhecer ou revisitar esse local único na cidade com muito verde em meio a avenidas movimentadas e que funciona como um verdadeiro pulmão para a região.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Cemitério e sua origem



De onde vem o costume de criar locais específicos para o sepultamento de pessoas? Os primórdios da origem do cemitério remetem ao período pré-histórico: escavações arqueológicas identificaram o hábito de cobrir os mortos com pedras ou enterrá-los já naquela época. Mas o costume tinha um sentido diferente: os corpos em decomposição atraíam animais, colocando a vida das demais pessoas em risco.
Porém, destinar um local para o sepultamento é um costume que vem dos hebreus, conforme citam diversas fontes históricas, e que tomou forma com os cristãos, com a criação da catacumba em paredes de galerias subterrâneas.
Na Roma antiga houve a proibição dos enterros na cidade, levando assim a sepultamentos pelas estradas. Porém, com o crescimento e desenvolvimento das cidades os mortos enterrados em locais afastados voltaram a fazer parte do perímetro urbano.
A história dos cemitérios
Após o período de uso das catacumbas subterrâneas, as áreas internas das igrejas e os espaços adjacentes passaram a ser utilizadas para o enterro de pessoas. No entanto, essa prática criou um problema com o tempo: já não havia mais espaço para abrigar tantos corpos, e o resultado foi a contaminação do solo, causando o aparecimento de epidemias mortais. Morar perto desses locais era altamente perigoso.
Surgiu então uma lei inglesa direcionada aos sepultamentos, que passaram a ser feitos ao ar livre e longe da área urbana. Este é, possivelmente, o ponto de partida para os cemitérios como conhecemos hoje.
Os sepultamentos em igreja, a bem da verdade, permaneceram comuns até o século XIX (registros históricos indicam que no Brasil eles ocorriam até o início do século XX). Esta era uma prática que, segundo a tradição católica, aproximava os falecidos aos santos. Além disso, ser sepultado no interior de uma igreja era sinal de prestígio.
Nos dias atuais, os cemitérios como conhecemos se mesclam à paisagem urbana, tornando-se inclusive pontos turísticos bastante visitados por curiosos de todo o mundo que se interessam pelas personalidades e artistas enterrados nestes locais. Entre os cemitérios mais famosos do mundo estão o da Recoleta, em Buenos Aires (Argentina), o Cemitério de Highgate, em Londres (Inglaterra), Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, o da Consolação, em São Paulo (ambos no Brasil), e o St. Louis No. 1., Nova Orleans, Estados Unidos, bem como as catacumbas de Paris (França) e o Cemitério Complexo-Museu Mevlâna, em Konya (na Turquia).