sexta-feira, 25 de maio de 2012

Criação com apego?


Amamentação prolongada vem sendo adotada por muitas mães adeptas do movimento chamado CRIAÇÃO COM APEGO (Attachment Parenting) que também prega que os pais durmam com os filhos quanto eles quiserem!
Não há uma idade limite para o desmame diz a Sociedade Brasileira de Pediatria!
A OMS (Organização Mundial de Saúde) preconiza aleitamento exclusivo até seis meses de idade!
Entretanto, para os pediatras, crianças que mamam ou dormem com os pais, por um período prolongado, podem ter prejuízos nutricionais e emocionais!
Será que é desse tipo de segurança que os filhos precisam? E o amadurecimento deles?

A propósito, em opinião diversa a essa 'criação com apego', a psiquiatra carioca MARCIA NEDER escreveu o texto abaixo que denominou: 

MÃE DESNECESSÁRIA

A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase e ela sempre me soou estranha. Até agora.
Agora que minha filha adolescente, aos quase 18 anos, começa a dar vôos-solo. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso.
Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara:
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso. Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.
A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.
O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado,o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

Marcia Neder

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