sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A RENÚNCIA DO PAPA

A inesperada renúncia do Papa deixou o mundo perplexo. Católicos ou não, todos especulam sobre o assunto considerado inusitado. Entretanto, tal renúncia não é tão incomum assim. Na história da Igreja Católica, vinte e dois papas já renunciaram ou foram obrigados a isso, antes de Bento XVI.

O professor de História da Igreja, cônego da catedral de Barcelona (Espanha) Josep María Martí Bonet, explica as renúncias papais, entre as que foram espontâneas e as que foram violentas. Algumas, inclusive, que terminaram com o assassinato do papa.

O cônego sustenta que na ÉPOCA ANTIGA, se não considerarmos os muitos papas mártires, encontramos seis possíveis renúncias. São as de Ponciano (anos 230-235), que morreu no exílio e renunciou pelo bem da Igreja; Eusébio (ano 309); João I (523-526); Silvério (535-537), acusado de alta traição por Belisário; João III (561-574), e Martinho I (649-655), que renunciou para facilitar a eleição de um papa que não fosse problemática e morreu exilado na Criméia.
Segundo o trabalho histórico inédito, elaborado após a renúncia de Bento XVI, na ÉPOCA MEDIEVAL foram obrigados a renunciar Constantino II (767); João VIII, ao qual tentaram envenenar; Estevão VI (896-897), que foi linchado e posteriormente estrangulado na prisão; e Leão V (903), que foi assassinado pelos mesmos que mataram Cristóvão (o antipapa) no ano de 903. O papa João X (914-928) foi envenenado e assassinado pela matriarca romana Marózia, que também matou Estevão VII (929-931). O filho de Marózia, Alberico, assassinou sua mãe e também o papa João XI (931-935). O papa Bento V (964) foi obrigado a exilar-se em Hamburgo; Bento VI (973-974) foi assassinado no castelo de São Angelo de Roma, e Bonifácio VII (984) também teve que se exilar e foi assassinado. João XIV (983-984) morreu de fome no castelo de São Angelo; Bento IX (1033-1045) foi acusado de comprar o pontificado, e Gregório VI (1045-1046) foi deposto e exilado. Bento X (1058-1059) renunciou por próprio convencimento e se transformou em um simples cardeal; João XXI (1276-1277) morreu em um acidente em Viterbo, e Celestino V (1294) renunciou.

Na ÉPOCA MODERNA, nos últimos seiscentos anos, o papa Gregório XII (1406-1414) foi o último a renunciar antes de BENTO XVI (2005-2013), que comoveu o mundo católico com seu inesperado anúncio de que deixará o pontificado no dia 28 de fevereiro próximo.
Ante os fatos acima, concluímos que a Igreja vem enfrentando polêmicos desafios ao longo de sua história de 2000 anos. No momento predominam os problemas da modernidade, as mudanças culturais e sociais que atingem toda humanidade.
Esperamos que a Igreja Brasileira, com o maior número de fieis no mundo, venha a contribuir para a compreensão da atual situação, a partir da rica experiência da Teologia da Libertação, de suas consequências e evolução.

Um comentário:

  1. Minhas obsdervações: a igreja vem perdendo seus fiéis, principalmente porque continua retrógrada, preguiçosa em fazer as modificações necessárias e, em minha opinião, o atual Papa viu-se impossibilitado para fazer as mudanças necessárias, principalmente em excomungar e expulsar da alta cúpula, os pedófilos, homosexuais e ladrões.

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