segunda-feira, 5 de maio de 2014

Onça Pintada

A ONÇA PINTADA é o terceiro maior felino do mundo e é o maior do continente americano. Os índios a chamavam de jaguar, termo vem do tupi-guarani, e significa “que mata com um salto”. Poucas aparições foram registradas, a partir dos anos 60.

Na década de 20, meus pais moravam em uma fazenda, em plena Serra de Botucatu, no estado de São Paulo. Nessa época, a região era bem isolada e distante da cidade.
Foi aí que nasci, era um lugar lindo! Meu pai, além de fazendeiro, era farmacêutico e proprietário de uma pequena farmácia no então Distrito de Espírito Santo do Rio Pardo, na metade do caminho até Botucatu.
Todo dia, bem cedo papai pegava um cavalo, em direção à farmácia, de onde só retornava ao anoitecer. Ele atendia também pessoas das terras vizinhas, já que, só havia médico na cidade grande. Circulava muito pelos caminhos em plena floresta.
Corriam muitas histórias sobre onças pintadas. Até que um dia meu pai viveu a dele.
Naquele dia ele não foi à farmácia, ia atender um vizinho, que estava muito doente e a família queria ouvir a opinião dele sobre as providências a tomar. Um empregado viera buscar papai, porque era longe, umas três horas de distância a cavalo, caminho que ele desconhecia. Era em direção contrária à farmácia, era se embrenhar mais na mata.
Chegando lá, encontrou o doente muito pior que ele pensava. Papai aconselhou a internação. Passaram o dia todo providenciando uma maca improvisada, com um lençol e quatro pessoas para levar o doente até o hospital mais próximo, que ficava a quatro horas de distância, também em direção contrária a de papai.
Enfim, ao entardecer ele saiu, sozinho, disposto a retornar. Claro que escureceu e ainda faltava uma hora de viagem. A noite estava clara, quando ele avistou uma onça, em cima de uma grande pedra, a uns cinquenta metros de distância.
Parou o cavalo, que parecia tranquilo, ainda não havia pressentido o perigo. Pensou em voltar. Mas já havia andado mais de duas horas, só faltava uma hora... Continuava parado, sem saber o que fazer, quando a onça desceu da pedra e veio em sua direção. Estava desarmado, só portava um canivete suíço, presente que recebera.
Sem perda de tempo, abriu o canivete e achou melhor não se mexer. A onça estava mais perto. O cavalo continuava tranquilo. Nisso ele relinchou e a onça respondeu e apertou o passo. Pensou: seja o que Deus quiser... A onça se aproximou, até bem perto...
Mas não era uma onça, era um bezerro perdido. Olhava fixo para ele, como se pedisse socorro... Meu pai saltou do cavalo e falou instintivamente: O que você está fazendo aqui? Não sabe o perigo que está passando? Olhou para o cavalo e completou: Bem, vamos para casa.
Voltando, olhou para trás e viu que o bezerro os acompanhava. Assim foi até chegarem, quando o bezerro tomou a dianteira e correu direto até o curral, direto mamar, estava faminto!
Quando papai chegou em casa disse: Missão cumprida! COM LOUVOR! Digo eu...
Papai ficou conhecido como o homem que enfrentava onça com canivete!

2 comentários: