segunda-feira, 23 de junho de 2014

Deixem-me envelhecer


Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças 
Sem obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém
Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou 
Um amor para dividirmos tropeços dessa nossa última jornada 
Quero envelhecer com dignidade. Com sabedoria e esperança
Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam
Eu não quero perdeu meu tempo precioso com aventuras 
Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.

Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento
Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão
Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir
Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos
Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos 
Sem frustrações, terminar a etapa final dessa minha existência
Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas
Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.

Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas 
Ter a certeza que minha luta não foi em vão. Teve um sentido
Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida
Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim 
Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver
Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida
Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade
Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz.
Concita Weber
Escritora nascida no Maranhão.
Mora em Berlim desde 1991

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Viver a vida

Jorge Luiz Borges - escritor e poeta argentino - 1899/1986

Se eu pudesse novamente viver a vida...
Na próxima...trataria de cometer mais erros...
Não tentaria ser tão perfeito...
Relaxaria mais...
Teria menos pressa e menos medo.
Daria mais valor secundário às coisas secundárias.
Na verdade bem menos coisas levaria a sério.
Seria muito mais alegre do que fui.
Só na alegria existe vida.
Seria mais espontâneo...correria mais riscos, viajaria mais.
Contemplaria mais entardeceres...
Subiria mais montanhas...
Nadaria mais rios...
Seria mais ousado...pois a ousadia move o mundo.
Iria a mais lugares onde nunca fui.
Tomaria mais sorvete e menos sopa...
Teria menos problemas reais...e nenhum imaginário.
Eu fui dessas pessoas que vivem preocupadas.
Cada minuto de sua vida.
Claro que tive momentos de alegria...
Mas se eu pudesse voltar a viver, tentaria viver somente bons momentos.
Nunca perca o agora.
Mesmo porque nada nos garante que estaremos vivos amanhã de manhã.
Eu era destes que não ia a lugar algum sem um termômetro...
Uma bolsa de água quente, um guarda chuvas ou um paraquedas...
Se eu voltasse a viver...viajaria mais leve.
Não levaria comigo nada que fosse apenas um fardo.
Se eu voltasse a viver
Começaria a andar descalço no início da primavera e...
continuaria até o final do outono.
Jamais experimentaria os sentimentos de culpa ou de ódio.
Teria amado mais a liberdade e teria mais amores do que tive.
Viveria cada dia como se fosse um prêmio.
E como se fosse o último.
Daria mais voltas em minha rua, contemplaria mais amanheceres e
Brincaria mais do que brinquei.
Teria descoberto mais cedo que só o prazer nos livra da loucura.
Tentaria uma coisa mais nova a cada dia.
Se tivesse outra vez a vida pela frente.
Mas como sabem...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Mentes Perigosas

A ideia de escrever sobre psicopatas surgiu em razão do momento violento, desumano e marcado por escândalos que nos abatem, mas serve também como um alerta aos desprevenidos quanto à ação destruidora desses indivíduos.



Quando pensamos em psicopatia, logo nos vem à mente um sujeito com cara de mau, truculento, de aparência descuidada, pinta de assassino e desvios comportamentais tão óbvios que poderíamos reconhecê-lo sem pestanejar. Isso é um grande equívoco!
Para os desavisados, reconhecê-los não é uma tarefa tão fácil quanto se imagina. Os psicopatas enganam e representam muitíssimo bem.
O livro "Mentes Perigosas" discorre sobre pessoas frias, insensíveis, manipuladoras, perversas, transgressoras de regras sociais, impiedosas, imorais, sem consciência e desprovidas de sentimento de compaixão ou culpa.
Esses "predadores sociais" com aparência humana estão por aí, misturados conosco, incógnitos, infiltrados em todos os setores sociais. São homens, mulheres, de qualquer raça, credo ou nível social. Trabalham, estudam, fazem carreiras, se casam, têm filhos, mas definitivamente não são como a maioria da população: aquelas a quem chamaríamos de "pessoas do bem".
Em casos extremos, os psicopatas matam a sangue-frio, com requintes de crueldade, sem medo e sem arrependimento. Porém, o que a sociedade desconhece é que os psicopatas, em sua grande maioria, não são assassinos e vivem como se fossem pessoas comuns.
Eles podem arruinar empresas e famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo, ou até uma vida inteira, sem serem descobertos ou diagnosticados.
Por serem charmosos, eloquentes, "inteligentes" e sedutores costumam não levantar a menor suspeita de quem realmente são. Podemos encontra-los disfarçados de religiosos, bons políticos, bom amantes, bons amigos. Visam apenas o benefício próprio, almejam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes natos da maldade.
A realidade é contundente e cruel, entretanto, o mais impactante é que a maioria esmagadora está do lado de fora das grades, convivendo diariamente com todos nós. Transitam pelas ruas tranquilamente, cruzam nossos caminhos, frequentam as mesmas festas, dividem o mesmo teto, dormem na mesma cama... 

MAS INVARIAVELMENTE DEIXAM MARCAS DE DESTRUIÇÃO POR ONDE PASSAM, SEM PIEDADE.

Fonte: livro “Mentes Perigosas – O psicopata mora ao lado”
Autora: Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva - Médica Psiquiatra e Escritora