segunda-feira, 23 de junho de 2014

Deixem-me envelhecer


Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças 
Sem obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém
Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou 
Um amor para dividirmos tropeços dessa nossa última jornada 
Quero envelhecer com dignidade. Com sabedoria e esperança
Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam
Eu não quero perdeu meu tempo precioso com aventuras 
Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.

Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento
Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão
Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir
Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos
Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos 
Sem frustrações, terminar a etapa final dessa minha existência
Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas
Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.

Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas 
Ter a certeza que minha luta não foi em vão. Teve um sentido
Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida
Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim 
Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver
Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida
Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade
Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz.
Concita Weber
Escritora nascida no Maranhão.
Mora em Berlim desde 1991

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