domingo, 17 de janeiro de 2016

Você sabe o que é o Amor?


Amar
Quem põe barreiras e preconceitos no amor, não sabe o que é amar. Foi-nos agraciado o direito de amar, mas não de impor as regras do amor. Para o amor não existe idade nem status. Não existe cor de pele nem raças.
Amar é seguir a mesma estrada e ajudar um ao outro a carregar fardos pesados. É dividir alegrias e tristezas. Sorrir e chorar juntos. Nunca desistir ou deixar só.
Amar não é ser dono. Não é tentar mudar. É ser grande amigo e companheiro. É oferecer o ombro, é estar sempre presente nos momentos de sofrimento. É querer, sem cobranças e exigências. É renunciar se isto for necessário.
Quem machuca, fere e maltrata, e diz que ama, não sabe o que é amar. Amar é proteger. Não é andar na frente nem atrás, mas seguir lado a lado. É cuidar com carinho e não abandonar quando a infelicidade bate na porta.
Amar é dedicação, é puro querer, é esconder sua dor para o outro não sofrer. O amor pode mostrar seu valor e sua grandeza num simples gesto de carinho. Em um abraço na hora certa, em troca de olhares, num leve toque de mãos.
O verdadeiro amor é conquista, é um sentimento que precisa ser lapidado. Não é privilégio de egoístas. É uma graça divina doada a quem merecer. Quem vive fazendo promessas e pedindo perdão, não sabe o que é amar.
Amar não é desejar. Não é possuir. Não é escravizar e destruir sentimentos. Nunca confundir, sexo e paixão, com amor. É algo bem maior e mais profundo.
Onde se aloja o amor não existem mentiras e desavenças, traições e falsidades. Pois o amor é comunhão e harmonia, ajusta desacertos do coração e da razão. Devora todos os demônios, ilumina os caminhos, humaniza e dá sentido à vida.
O amor é grandioso. É o mais puro e mais nobre dos sentimentos.  É felicidade. Não existe nada mais sublime nem mais gratificante que saber o que é amar.

Concita Weber
Escritora brasileira residente em Berlim

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Sobre estar sozinho | Flávio Gikovate

aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista  individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.
O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante.
A palavra de ordem deste século é a parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.
Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração.
Mas não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.
Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.
Visa aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.
E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.
As boas relações afetivas são ótimas, muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi reinventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não à partir do outro.
Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Flávio Gikovate | Psicoterapeuta e Escritor