segunda-feira, 24 de abril de 2017

O coco e sua origem


O coco, ou coco-da-baía é o fruto do coqueiro. A casca é espessa e composta principalmente por fibras, o interior do fruto possui uma amêndoa branca usada na alimentação.
O valor nutritivo do coco varia de acordo com seu estado de maturação, de forma geral é rico em sais minerais, como o potássio, sódio, fósforo e fibras. Devido ao seu conteúdo em sais de potássio e sódio, é um alimento adequado contra aterosclerose, para o sistema nervoso, cérebro e pulmões, além de ser um bom alimento para os diabéticos. A água-de-coco, rica em potássio, é muito indicada em casos de diarreia, vômitos ou desidratação.
O fruto é originário da Ásia, chegou ao Brasil em 1553. Passou a fazer parte da culinária brasileira com a chegada dos escravos, que já o conheciam na África. O coco é utilizado para realçar o sabor dos alimentos, no preparo de bebidas, pratos doces e salgados.
Quando refrigerado, o coco pode ser conservado de quinze dias a um mês. O período de safra vai de janeiro a julho.
O Brasil é o único lugar do mundo onde o coco é utilizado como fruta, empregado na produção de balas, doces e sorvetes, além de ser bastante empregado na culinária nordestina, enquanto que nos demais Países produtores, o coco é utilizado para extração do óleo. No Brasil, os produtos mais nobres do coco são o coco-ralado e o leite-de-coco, e mais recentemente a água vem ocupando lugar de destaque dentre os produtos derivados do coco.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Tiradentes


No segunda metade do século XVIII, a exploração de ouro em Minas Gerais começou a decair, afetando negativamente todas as camadas da população.
A cobrança de impostos que era feita sobre o ouro foi mantida pela coroa portuguesa, mesmo sabendo que os mineiros já não tinham como pagar o "quinto" (20% do ouro). Apesar da pressão, a Coroa não conseguia arrecadar tanto quanto nas décadas anteriores. Por causa disto, o rei ordenou ao governador da capitania, Furtado de Mendonça, que executasse a chamada "derrama", a cobrança dos impostos atrasados.
Estes impostos atrasados foram cobrados à força, com policiais, de qualquer cidadão mineiro. As contribuições eram feitas com base nos bens que cada indivíduo tinha, e era comum acontecerem casos de todos os bens de uma família serem tomados.
Foi em meio a essa crise que surgiu a Conjuração Mineira (ou Inconfidência Mineira), uma revolta contra a metrópole portuguesa. Os líderes dessa conspiração eram ricos mineradores, pertencentes à elite, pessoas ligadas ao setor militar e da administração da capitania. O único representante dos pobres era Tiradentes, que mais tarde seria o mártir da revolta. A revolta foi baseada nos ideais do Iluminismo, através do conhecimento da independência dos Estados Unidos.
Os objetivos que a conjuração tinha eram modestos, pouco definidos. O principal era tornar Minas Gerais independente, proclamação de uma República, atrair investimentos estrangeiros para a instalação de fábricas, e a construção da Universidade de Vila Rica.
Os líderes da campanha não tinham uma ideia do que ocorreria com os escravos. Manter a escravidão era contra os ideais que pretendiam pôr em prática, porém, caso os libertassem, achavam que os negros tentariam assassinar todos os brancos e tomar o poder da região, já que eram a maioria. Ao final da história, apenas os escravos nascidos no Brasil foram libertados.
Logo que o governador tomou conhecimento da revolta, mandou suspender a cobrança da Derrama e prender os líderes revoltosos.
As penas dos condenados foram muito fracas para os padrões da época. Justamente porque os líderes da conjuração eram ricos e militares - pessoas importantes.  Tiradentes, o representante do povo, e o único que não tinha qualquer importância, foi escolhido como mártir da revolta, sendo condenado à forca.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Leonardo da Vinci


Leonardo Da Vinci fez por merecer o título de mais versátil artista de que se tem notícia. Pintor, desenhista, escultor, arquiteto, astrônomo, além de engenheiro de guerra e engenheiro hidráulico entre outros ofícios, cuja mente será sempre objeto de admiração. Juntamente com Rafael e Michelangelo deram base ao Renascimento. Nascido no vilarejo de Vinci, na região de Florença, Itália, em 15 de abril de 1452, era filho ilegítimo de Ser Piero um proprietário rural e Catarine uma camponesa. Numa referência a cidade natal, adotou o sobrenome Da Vinci.
Desde criança suas habilidades artísticas já eram notadas pelo pai que reuniu alguns de seus trabalhos e encaminhou a oficina de Andrea del Verrocchio (1435-1488), figura de grande importância no âmbito das artes e oficio da região. Leonardo com 14 anos de idade foi aceito na oficina de Verrocchio, passando a ser seu aprendiz. Logo, aos 20 anos, passou a compor a Corporação dos Pintores de Florença, nessa época já era admirado e aceito por outros artistas e intelectuais. Morou em Milão, Veneza e Roma até ser convidado em 1516 pelo soberano francês Francisco I, para morar no Castelo de Clous na França. Aos 67 anos, já abatido e com a mão direita paralisada, morreu em 02 de maio de 1519. Antes de morrer Da Vinci que era canhoto, deixou vários manuscritos que mais tarde seriam reunidos no Tratado sobre a pintura.
Na oficina de Verrocchio, Leonardo teve o aprendizado que levaria para todo vida. Aprendeu as técnicas da fundição e seus segredos; a partir de modelos nus e vestes drapeadas, aprendeu a preparar quadros e esculturas; aprendeu a desenhar animais e plantas, bem como, teve uma base sólida no aprendizado na perspectiva e no uso das cores.
Da Vinci foi um artista cuja genialidade despertou a curiosidade por quase tudo na natureza. Foi um dos primeiros a sondar os segredos do corpo humano e o desenvolvimento dos fetos no útero, dissecando cadáveres. Observou o voo dos pássaros e insetos, o crescimento das plantas, as formas, sons e cores da natureza, que por sua vez, dariam base a sua arte. Além disso, dedicou-se a escrever da direita para esquerda de maneira que suas anotações só poderiam ser lidas refletidas no espelho e foi o inventor de uma técnica que os italianos chamaram de “sfumato”, que consistia em fazer com que uma forma se misturasse a outra por meio de contornos embaçados e cores suaves. Leonardo Da Vinci recusava-se a entregar uma encomenda de um quadro enquanto não tivesse satisfeito com ela.
Como inventor criou centenas de projetos de hidráulica, cosmologia, geologia, mecânica, música e audaciosos projetos de engenharia. Na década de 1960 em Madri, descobriu-se mais de 700 páginas de desenhos sobre aviação, arquitetura e engenharia mecânica, datadas entre 1491 e 1495. Muito embora a maioria de seus projetos nunca tenha saído do papel é inegável sua contribuição para as ciências.
Entre suas obras mais famosas estão Mona Lisa ou Gioconda (1503-1505) na qual fez uso da técnica do esfumado que havia criado, encontra-se atualmente no Museu do Louvre em Paris; e A última ceia (1495-1497), um mural representando Cristo e seus apóstolos encomendado pela Igreja de Santa Maria dele Grazie, em Milão. O fato de não ter assinado suas obras, faz com que muitos de seus trabalhos ainda estejam perdidos, além disso, ganhou fama por deixar grande parte de suas obras inacabadas. O Papa Leão X ao se referir a essa característica proferiu: “Da Vinci gosta mais do caminho que da chegada, mais do processo que do resultado.”

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Camões

O local de nascimento de Luís Vaz de Camões é incerto, especula-se que tenha sido em Lisboa, em 1524. Também não se tem certeza de onde Camões estudou, mas em razão de sua erudição, é certo que teve uma excelente formação.

A vida de Camões foi bastante conturbada. Boêmio, teve muitas musas inspiradoras, entretanto, nenhuma se tornou oficial. Serviu Portugal no norte da África, onde foi ferido e perdeu o olho direito.  Em 1550, já estava de volta a Portugal, mas, em 1552, foi preso por ter agredido um oficial do rei. Sua “liberdade” veio em 1553, entretanto, não pôde ficar em Portugal, sendo exilado por 17 anos.

Em 1570, após a morte de D. João III, Camões voltou a Portugal. Durante o exílio, o poeta esteve nas colônias portuguesas da África e da Ásia e usou esse momento para produzir. Por isso, quando retornou, sua célebre obra “Os Lusíadas” já estava concluída e, em 1572, foi publicada pela primeira vez.

“Os Lusíadas” é um poema épico (que narra fatos heroicos) que foi dedicado a D. Sebastião, rei de Portugal, e narra os grandes feitos do povo português em suas navegações e guerras. Em gratidão, D. Sebastião concedeu uma pensão de 15 mil réis ao poeta.

Camões, sem dúvidas, foi o grande nome do Classicismo Português, suas obras são de grande valor literário. Compostas por peças teatrais, poesias líricas e épicas, além de, é claro, sua obra-prima, o soneto (14 versos com 10 sílabas, as duas primeiras estrofes com quatro versos e as duas últimas com três).

O poeta faleceu muito pobre, em Lisboa, no ano de 1580. Entretanto, sua obra segue inspirando poetas, músicos, cineastas. Acompanhe o poema lírico “Amor é fogo que arde sem ver” que foi publicado em 1595 e fala de um dos temas mais ricos da lírica camoniana, o amor.

“Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?”