segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Reflorestamento na China

A China, nação que mais polui e que mais consome matéria-prima, tem índice de desmatamento zero.

Tanto a China como a Índia têm programas para reflorestar e “reverdejar” áreas que foram destruídas pela remoção da mata nativa, embora o da China seja muito maior.  A Grande Muralha Verde da China tem como objetivo deter o avanço dos desertos por meio do plantio de uma assombrosa quantidade de árvores.
Na Província de Shaanxi, o programa converteu 571 mil hectares de terras agrícolas e 427 mil hectares de terras improdutivas em florestas ou gramados entre 1999 e 2002, de acordo com estudo.  Outros 280 mil hectares de terras agrícolas e a mesma extensão em terras não cultivadas foram reflorestados em 2003.  O Banco Mundial chamou atenção para o programa, dizendo que a China é um dos poucos países da Terra que está ampliando sua cobertura florestal.
Ao criar a maior floresta formada pelo homem no mundo, a China diz que já teve êxito em cobrir 20% do país com florestas.  Seu objetivo é ter 42% até 2050.  Parece até que a maior arma da China – e a menos reconhecida internacionalmente – contra a mudança climática é o plantio de árvores.
Os cidadãos de modo geral plantaram cerca de 56 bilhões de árvores por toda a China na última década, de acordo com estatísticas governamentais citadas pelo jornal “The Guardian”.  Somente em 2009, a China plantou 5,88 milhões de hectares de floresta.  A China planta duas vezes e meia mais árvores a cada ano do que o restante do mundo inteiro somado, é “o maior programa de plantio de árvores já visto no mundo”.
Apesar do êxito, críticos questionam a Grande Muralha Verde porque possui também desvantagens ambientais, tais como sua pobre biodiversidade e o intensivo uso de água.  Alguns estudos chegam a mostrar que a criação de novas florestas não é um modo eficaz de absorver carbono ou mitigar mudanças climáticas.
Embora grandes projetos nacionais como o da Grande Muralha Verde funcionem também como ferramentas de propaganda para o governo chinês, os resultados diferem em nível local, como explica um artigo publicado sobre reflorestamento no sudoeste da China. O programa se deparou com problemas entre os camponeses que se rebelam quando as novas árvores não produzem renda na mesma proporção das lavouras perdidas e, em alguns lugares, o plantio simplesmente não decola por causa de projetos ruins de reflorestamento ou outras questões.  Apesar disso, no geral, a iniciativa é um exemplo impressionante do que um governo pode fazer desde que esteja motivado.
O Kubuqi é o sétimo maior deserto da China e está localizado na Região da Mongólia Interior. Nas últimas três décadas, um quarto dele já foi reflorestado.
Investindo em reflorestamento, os chineses agem de forma pragmática. Pagar fazendeiros = mais árvores. Mais árvores = mais água no rio. Mais água = mais energia elétrica barata (ainda mais no país que inaugura duas usinas a carvão por semana para dar conta de crescer como cresce). Mais energia barata, mais produção para a economia – e dinheiro para pagar os reflorestadores.
O final dessa equação é surreal para os padrões brasileiros. A China, nação que mais polui e que mais consome matéria-prima, tem índice de desmatamento zero. Abaixo de zero, até: eles plantam mais árvores do que derrubam.

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