segunda-feira, 25 de junho de 2018

História de Santo Expedito


Sabe-se que ele era Romano, foi Senador de Roma, Príncipe-Consul do Império Romano na Armênia, militar, Comandante da XII Legião Romana e, mesmo nessa condição, converteu-se ao cristianismo.
Comandava a XII Legião, que tinha o nome de Fulminata, nome que significa algo como "Vem como um raio". A Fulminata tinha cerca de 8 mil homens contando soldados, escravos e cavaleiros. No tempo de Expedito, ela defendia as fronteiras orientais do Império Romano contra os bárbaros asiáticos. 
Expedito comandou a XII Legião de 296 a 303 d. C. Para ser comandante de uma Legião Romana era preciso muita competência e bravura. Tanto que, alguns anos antes, a mesma XII Legião tinha sido comandada por um Imperador romano, Marco Aurélio.
Sabe-se que Expedito era um líder competente. Seu cargo equivaleria hoje ao de um general. Ele se tornou famoso por manter a disciplina dos soldados e todos o respeitavam. Por outro lado, como a maioria dos soldados romanos, o Comandante Expedito tinha uma vida devassa, rodeada de luxo, prazeres e fama.
O primeiro contato do Comandante Expedito com o Cristianismo aconteceu dentro da própria XII Legião. Com efeito, uma parte dos soldados da XII Legião era formada de cristãos. Além disso, em suas andanças pelas fronteiras orientais do império, Expedito teve ainda mais contato com o cristianismo. E, para completar, a XII Legião teve um soldado chamado Polieucto de Melitene, que morreu mártir no ano 193. 
A semente do Cristianismo e do sangue dos mártires, nunca cai na terra em vão.
Expedito era um líder competente na condução da XII Legião tanto nos tempos de paz quanto  nas batalhas. Um comandante vitorioso na carreira militar. Porém, quanto à sua vida espiritual, tinha o vício da procrastinação, isto é, deixar para depois, adiar. 
Ele simpatizava com a mensagem de Jesus. Admirava os ensinamentos do Mestre de Nazaré e via no Evangelho palavras que ninguém jamais tinha dito antes na história humana. Por isso, ele pensava em um dia converter-se de verdade. Esse dia, porém, ficava sempre para mais tarde, era sempre adiado.
Depois de alguns anos procrastinando, Expedito foi tocado pela graça de Deus. Certa noite teve um sonho que mudou sua vida. No sonho, um corvo representando o espírito do mal, grasnava diante dele a palavra cras, do latim, que significa amanhã, deixe sua conversão para amanhã. O corvo grasnava forte e parecia poderoso. De repente, Expedito pisoteou o corvo dizendo: hodie, que significa hoje, em latim. O Comandante Expedito acordou do sonho decidido a confirmar sua conversão ao cristianismo.
Por isso ele é considerado o Santo das causas urgentes. Convertido, ele continuou por um tempo ainda chefe da sua legião, conseguindo converter seus soldados também.
Com a conversão de Expedito e da sua tropa, o imperador Diocleciano começou a perseguir o Expedito e seus soldados. A importância de seu posto fazia dele uma influência muito forte a favor do Cristianismo dentro do Império Romano. Por isso, ele se tornou alvo especial do Imperador.
O Comandante Expedito foi preso por ordem de Diocleciano e foi forçado a renunciar à sua nova fé. Porém, ele não renunciou. Seus castigos começaram pela flagelação romana: 39 chicotadas com o flagrus, chicote que dilacera a pele e causa hemorragia. Expedito tinha aplicado este mesmo castigo a bandidos e indisciplinados. Agora, ele os recebia por causa de Jesus Cristo. E ele permaneceu firme. Por fim, não renunciando à sua fé, Santo Expedito foi decapitado com espada, por ordem do Imperador Diocleciano, no dia 19 de abril de 303, em Melitene na Armênia.
Como o Comandante Expedito foi morto por causa de Jesus Cristo, ele se tornou um mártir da Igreja e reconhecido oficialmente como santo. Sua bravura diante dos sofrimentos por causa da fé serviu de exemplo para grande parte dos soldados de sua Legião, fazendo-os permanecer firmes em sua fé.
O exemplo do Comandante Expedito arrastou milhares de cristãos na Armênia e, logo, ele passou a ser venerado como santo, o santo das causas urgentes.
Santo Expedito é representado como um Comandante Romano, vestindo uma túnica branca, uma armadura de superior e um manto vermelho sobre os ombros. Em sua mão direita ele levanta uma cruz com a palavra Hodie (Hoje). Na mão esquerda ele tem uma palma, representando o martírio e a vitória dos mártires. Seu pé direito pisa sobre um corvo, que grita a palavra Cras (amanhã). A imagem simboliza a grande mensagem de Santo Expedito: 
Não adie sua conversão, não deixe para amanhã aquilo que deve ser feito hoje, não procrastine!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Dercy Gonçalves



Dercy Gonçalves, foi atriz, humorista e cantora brasileira, oriunda do teatro de revista, notória por suas participações na produção cinematográfica brasileira das décadas de 1950 e 1960. Devido à sua personalidade extrovertida e alegre, conquistou muitos amigos e admiradores durante toda a sua longa vida de mais de um século de existência.
Celebrada por suas entrevistas irreverentes, bom humor e emprego constante de palavras de baixo calão, foi uma grande expoente do teatro de improviso no Brasil.
Originária de família pobre nasceu na cidade de Santa Maria Madalena, no interior do estado do Rio de Janeiro, em 1905, mas foi registrada erroneamente, em 1907.
Era filha de um alfaiate e de uma lavadeira.
Sua mãe, chamada Margarida, abandonou o lar ao descobrir a infidelidade do marido.
Dercy foi bilheteira de cinema, além de apresentar-se teatralmente para hóspedes de hotel em sua cidade natal. Teve que aturar o pai bêbado em casa e sofreu muito com o abandono da mãe, de quem nunca mais teve notícias.
Aos dezessete anos, fugiu de casa e se juntou a uma companhia de teatro. Era uma típica moça do interior, ingênua e alegre, que mesmo fugida de casa ainda brincava de bonecas de pano.
Estreou em 1929, em Leopoldina, integrando o elenco da Companhia Maria Castro.
Fazendo teatro itinerante, fez dupla com Eugênio Pascoal em 1930, com quem se apresentou por cidades do interior de alguns estados, sob o nome de "Os Pascoalinos".
Em 1934, teve um romance passageiro com o exportador de café mineiro Ademar Martins, moraram juntos um tempo, do qual nasceu sua única filha, Dercimar (mistura de Dercy com Ademar).
Especializando-se na comédia e no improviso, participou do auge do Teatro de revista brasileiro, nos anos 1930 e 1940, estrelando algumas delas, como "Rei Momo na Guerra", em 1943, de autoria de Freire Júnior e Assis Valente, na companhia do empresário Walter Pinto.
Na década de 1960 iniciou sua carreira-solo.
Suas apresentações, em diversos teatros brasileiros, conquistavam um público cheio de moralismos.
Nesses espetáculos, gradativamente introduziu um monólogo, no qual relatava fatos autobiográficos.
Paralelamente a estas apresentações, atuou em diversos filmes do gênero chanchada e comédias nacionais.
Na televisão, chegou a ser a atriz mais bem paga da TV Excelsior em 1963, onde também conheceu o executivo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni.
Depois passou para a TV Rio e já na TV Globo, convenceu Boni a trabalhar na emissora, junto de Walter Clark.
De 1966 a 1969 apresentou na TV Globo um programa de auditório de muito sucesso, "Dercy de Verdade" (1966-1969), que acabou saindo do ar com o início da Censura no país.
No final dos anos 1980, quando a censura permitiu maior liberalismo na programação, Dercy passou a integrar corpos de jurados em programas populares, como em alguns apresentados por Sílvio Santos, e até aparições em telenovelas da Rede Globo.
No SBT voltou a experimentar um programa próprio que, entretanto, teve curtíssima duração.
Sua carreira foi pautada no individualismo, tendo sofrido, já idosa, um desfalque nas economias por parte de um empresário inescrupuloso — o que a fez retomar a carreira, já octogenária.
Dercy Gonçalves morreu com 101 anos, em 19 de julho de 2008, no Hospital São Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Elis Regina

Por sua performance versátil, Elis Regina, foi considerada a maior cantora do Brasil. É também reconhecida por sua forma de expressão altamente emotiva, tanto na interpretação musical quanto em seus gestos.
Elis Regina de Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 17 de março de 1945. Começou a cantar, com onze anos de idade, no programa "No Clube do Guri", na Rádio Farroupilha, apresentado por Ari Rego. Em 1960 foi contratada pela Rádio Gaúcha e em 1961, com 16 anos de idade lançou seu primeiro disco, "Viva a Brotolândia".
Em 1964, já se apresentava no eixo Rio São Paulo. Assinou contrato com a TV Rio, para se apresentar no programa "Noite de Gala". Sob a direção de Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, Elis Regina se apresenta no "Beco das Garrafas", reduto da Bossa Nova. Nesse mesmo ano muda-se para São Paulo.
Em 1965, fez a sua estreia no festival da Record com a música “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes. Recebeu o Prêmio Berimbau de Ouro e o Troféu Roquette Pinto. Foi eleita a melhor cantora do ano.
Entre 1965 e 1967, ao lado de Jair Rodrigues, apresentou o programa "O Fino da Bossa", na TV Record em São Paulo. O programa gerou três discos. O primeiro "Dois na Bossa" vendeu um milhão de cópias. Em 1968, se apresentou duas vezes no Olympia de Paris.



Elis Regina tinha um gênio forte, recebeu o apelido de Pimentinha. Era uma artista eclética, interpretava canções de vários estilos, como MPB, jazz, rock, bossa nova e samba. Levou à fama, cantores importantes como Milton Nascimento, João Bosco e Ivan Lins. Fez dueto com Tom Jobim, Jair Rodrigues, entre outros.
Entre os seus álbuns estão: "Em Pleno Verão" (1970), "Elis e Tom" (1974), e "Saudade do Brasil" (1980). Entre suas músicas mais interpretadas estão: "O Bêbado e a Equilibrista", "Como Nossos Pais", "Madalena" e "Casa no Campo". Curiosamente a sua voz foi colocada no patamar de instrumento musical na Ordem dos Músicos do Brasil, tamanha era a sua capacidade vocal.
De sua união com Ronaldo Bôscoli nasceu João Marcelo Bôscoli (1970). E de sua união com César Camargo Mariano nasceram, Pedro Camargo Mariano (1975) e Maria Rita (1977).
Elis Regina faleceu com apenas 36 anos, em São Paulo, no dia 19 de janeiro de 1982. Sua morte foi decorrente do consumo de cocaína e o uso exagerado da bebida alcoólica.


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Assis Chateaubriand


Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo foi o dono de um império jornalístico no Brasil. Nascido em Umbuzeiro, na Paraíba, em 1892, ele pode ser definido como jornalista, advogado, empresário e político, mas é lembrado, principalmente, por ter sido dono dos Diários Associados, conglomerado que reuniu dezenas de jornais, revistas e estações de rádio. Uma de suas criações foi a revista semanal O Cruzeiro, uma pré-VEJA, que teve grande influência política. 
Chateaubriand cursou direito em Recife e estreou no jornalismo aos 15 anos, escrevendo para jornais. Em 1917, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como advogado, mas também colaborava para o Correio da Manhã. Ficou conhecido entre empresários, intelectuais e políticos e comprou O Jornal em 1924. Quatro anos depois, fundou a revista O Cruzeiro
No final da década de 20 com auxílio do poder da imprensa, apoiou o movimento que levou Getúlio Vargas à presidência do país em 1930 e desenvolveu com ele uma relação de apoio e oposição no decorrer dos anos
Empreendedor, Chatô não se contentava apenas com dezenas de jornais, revistas e estações de rádio. Idealiza e promove a Campanha Nacional de Aviação em 1941, através da construção de aeroclubes e aeroportos no interior do país. Em 1947, funda o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateubriand (MASP) junto com o arquiteto e marchand italiano Pietro Maria Bardi. Em 1950, abre em São Paulo a primeira emissora de televisão brasileira e da América Latina, a Rede Tupi
Sempre envolvido com política, Chateaubriand se elegeu senador pela Paraíba em 1952 e, depois, pelo Maranhão em 1955. Mas renunciou ao segundo mandato para se tornar embaixador do Brasil na Inglaterra. Nesse meio-tempo, em 1954, ocupou a cadeira nº 37 do ex-presidente Getúlio Vargas na Academia Brasileira de Letras.
No começo da década de 60, uma trombose causou paralisia quase total no seu corpo e as decorrências acabaram sendo fatais nos anos seguintes, até que, em 1968, Chateaubriand morreu. Amante das artes, ele foi velado ao lado de duas pinturas: um cardeal de Velázquez e um nu de Renoir.