segunda-feira, 27 de agosto de 2018

TBC - Teatro Brasileiro de Comédia


Franco Zampari, um italiano que, juntamente com outros patrícios endinheirados, transformou um casarão do Bixiga no teatro brasileiro de comédia, chamado na época de teatro assobradado. Franco Zampari propõe a duzentas personalidades da alta sociedade paulista a fundação da sociedade brasileira de comédia, entidade sem fins lucrativos que congregaria os grupos de teatro amador.
O bairro do Bixiga, centro cultural da cidade de São Paulo, foi o felizardo por mais um teatro, o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), e os palcos nacionais ganhavam sua maior escola. A Rua Major Diogo foi escolhida para acolher uma das mais queridas salas de espetáculo da cidade de São Paulo.
O teatro foi inaugurado a 11 de outubro de 1948, com a peça La Voix Humaine, de Cocteau, apresentada no original por Henriqueta Morineau, e A mulher do próximo de Abílio Pereira de Almeida, encenada pelo grupo de Teatro Experimental de Alfredo Mesquita.
Para que a companhia teatral fosse de primeira linha, famosos atores e diretores estrangeiros foram convidados a participar do TBC, com apoio de mecenas paulistas, como o Conde Francisco Matarazzo, e os banqueiros Adolfo Rheingantz e Paulo Assumpção. A partir daí foi organizado o primeiro elenco profissional, do qual participavam como contratados exclusivos Cacilda Becker, Madalena Nicol e Mauricio Cardoso. De Buenos Aires importaram o jovem diretor italiano Adolfo Celi.
A fase profissional do TBC teve início em junho de 1949, com a estréia da peça Nick Bar (adaptação da peça de William Saroyan, The Time of Your Life), dirigida por Adolfo Celi.
Mais tarde, o time de astros e estrelas foi reforçado por artistas que deixaram seus nomes marcados na história do teatro, cinema e televisão. E uma coisa, até então ainda não vista, era dois palcos giratórios, que recebeu a peça "Entre Quatro Paredes", de Jean Paul Sartre, também dirigida por Adolfo Celi, com Sérgio Cardoso, Cacilda Becker e Nidia Licia nos principais papeis.
Vieram muitas outras peças com um elenco muito maior: Paulo Autran, Tonia Carrero, Walmor Chagas, Maria Dela Costa, Natalia Timberg, Fernanda Montenegro, Cleyde Yaconis, Ítalo Rossi, Tereza Raquel e outros.
O TBC não foi uma companhia dominada por atores, como acontecia até então. Isto é, a direção não cabia a um primeiro ator, e sim a um diretor, que foi principalmente o Celi.
O TBC era uma referência do teatro brasileiro e muito divulgado pela mídia. Além de teatro era, também, uma escola de teatro.
Em 1960, Franco Zampari entrega a direção da casa à Sociedade Administradora e a direção artística a Flávio Rangel, primeiro diretor brasileiro a assumir a companhia.
Após uma injeção de verbas públicas, visando sanear as despesas, há o redirecionamento do repertório e sua primeira encenação é a de O Pagador de Promessas, de Dias Gomes.
Inicia-se, desse modo, a fase nacionalista do TBC. Flávio dirige ali alguns sucessos de impacto: A Semente, de Gianfrancesco Guarnieri; A Escada, de Jorge Andrade, ambos de 1961; A Morte de Um Caixeiro Viajante, de Arthur MiIler e A Revolução dos Beatos, de Dias Gomes, como também Yerma, de Federico García Lorca, conduzido por Antunes Filho, 1962; e Vereda da Salvação, de Jorge Andrade, última produção da companhia, em 1964.
O TBC foi o empreendimento que transformou o rumo da cena nacional. A partir da experiência desta companhia, cujas atividades se estendem por 16 anos, consolida-se o advento da encenação moderna no país; a profissionalização dos atores; a simbiose entre divertimento e cultura, sem que se perca de vista o fator da produtividade aferido pelo faturamento da bilheteria; o treinamento e a formação do ator no sentido da subordinação ao conceito do espetáculo, ou seja aos parâmetros da encenação (a visão do diretor); tem também o projeto da casa de espetáculos agregando uma oficina de produção teatral (ateliê, guarda-roupa, marcenaria, arquivo).

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