sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Jardim da Luz


Pouco antes dos anos 1800, a cidade de São Paulo ganhou um importante ponto turístico e de relaxamento para os paulistanos. O chamado Parque da Luz, inaugurado como Jardim Botânico, começou suas atividades em 1798 e foi o primeiro jardim público da nossa cidade. Dez anos mais tarde, o presidente da província Rafael Tobias escrevia em seu relatório: “Continua-se a trabalhar no Jardim estabelecido nesta cidade; ainda que seja uma despesa que mais toca ao agradável do que ao útil, não se pode dispensar, uma vez que ele já serve de recreio aos cidadãos em certos dias, e não é conveniente abandonar uma obra começada, perdendo-se o que está feito”.

Em 1860, parte das terras do Jardim Público da Luz (cerca 44 metros) foi entregue à Companhia Inglesa para a construção da estação da estrada de ferro, a futura Estação da Luz. Mais para o final do século, outros lotes de terra foram cedidos para a construção do Colégio Prudente de Morais e do Liceu de Artes e Ofícios. Restou hoje uma área de 113.400 metros quadrados.

O problema é que, até meados do século XIX, a população não frequentava o Jardim Público da Luz. O viajante Frédéric Houssay observa em 1862: “Jamais encontrei alguém ali que não fosse o seu velho jardineiro alemão”.

Na verdade, o Jardim Público da Luz só se tornou popular no governo de João Teodoro (1872-1875), quando, depois de reformas que incluíram a instalação de um observatório astronômico, cumpriu o papel de parque de lazer para a população, local de passeio das famílias, ponto de encontro dos passageiros que desembarcavam na Estação da Luz, vindos de Santos ou do interior. Anos mais tarde, em 1883, o parque receberia iluminação elétrica. No governo do prefeito Antônio Prado (1899-1910), o jardim passou por novos melhoramentos, como calçamentos, construção de tanques e bancos.

O viajante francês Paul Adam deixou registrado em 1914: “Aos domingos, no Jardim da Luz, é agradável ver esse povo energético, bem trajado, entregar-se aos prazeres da ginástica e da patinação, por entre o emaranhado das mais belas árvores tropicais, diante dos quiosques onde as mulheres em sua elegância saboreiam sorvetes, bebem refrescos. É a vida sadia e limpa”.
A população paulistana, portanto, passou a frequentar regularmente o Jardim da Luz, aos domingos e feriados, quando, ao som das bandas de música, passeava entre plantas, árvores centenárias, lagos e animais – preguiças, zebras, jaburus, garças, pavões, girafas, tamanduás, onças, peixes, entre outros.
Com a degradação da região central da cidade, a partir da década de 1970, o Jardim da Luz ficou praticamente entregue à prostituição, tráfico de drogas, contrabando e outras atividades criminosas. A população afastou-se do local, considerado perigoso. No final da década de 1990, entretanto, o governo assumiu a recuperação do Jardim da Luz. O coreto foi restaurado, bem como o lago e os caminhos. O lugar recuperou o seu caráter público; ali crianças, jovens, namorados e idosos podem esquecer o tumulto da cidade e realizar um agradável passeio entre árvores majestosas e esculturas de artistas brasileiros. 

O parque é rodeado de outras atrações, como a Estação da Luz, Pinacoteca, Museu da Língua Portuguesa (agora fechado após o incêndio), Museu de Arte Sacra, Sala São Paulo, Rua José Paulino e demais ruas comerciais. Possui acesso fácil por metrô, trem, ônibus e inclusive a ciclofaixa aos domingos passa na sua entrada principal, na Praça da Luz. Vale reservar uma manhã ou tarde para conhecer ou revisitar esse local único na cidade com muito verde em meio a avenidas movimentadas e que funciona como um verdadeiro pulmão para a região.

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