segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Búfalos no Brasil



Por ser naturalmente forte e resistente, o búfalo é um animal que ainda é encontrado na vida selvagem. Porém, conseguiu se adaptar e a conviver com o homem. Por isso, passou a ser utilizado em muitas atividades.
Na Ásia é uma das forças que movimenta o cultivo do arroz. No Brasil, auxilia no patrulhamento da Amazônia. O Brasil, inclusive, possui o maior rebanho de búfalos do Ocidente. De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), são 3 milhões de animais no país.
Segundo a ABCB, em torno de 30% das criações são destinadas à produção leiteira e, nos últimos anos, o rebanho leiteiro tem crescido a uma taxa de 45%.No Brasil, são comuns quatro raças de búfalo: uma de origem italiana, a Mediterrâneo; duas indianas, a Murrah e a Jafarabadi. E a Carabao, de origem filipina, a única adaptada às regiões pantanosas. No Brasil ela é encontrada na ilha de Marajó, no Pará, local onde os búfalos foram introduzidos no país no final do século XIX.
De acordo com a Pesquisa da Pecuária do IBGE, o Pará contava com cerca de 520 mil cabeças (38% do total nacional) em 2016, das quais mais de 320 mil estavam na costa norte e nordeste da ilha. Só o município de Chaves concentra pouco mais de 30% do rebanho do Estado, cerca de 160 mil animais – para se ter uma ideia, o segundo município com o maior número de búfalos no Brasil é Cutias, no Amapá, onde havia pouco menos de 77 mil cabeças.
Em 2017, o faturamento dos criadores e indústrias chegou a um R$ 1,1 bilhão, conforme aponta o site Agro, do G1.
O leite de búfala é rico em gordura, seu índice é maior que o de vaca, por isso, é tão versátil, estando presente na ricota, burrata, muçarela e queijo frescal.  O índice de gordura da carne de búfalo é muito menor do que o da carne bovina, permitindo uma carne magra e saudável.
O município de Soure, em Marajó, concentra o segundo maior rebanho da ilha (cerca de 74.500 cabeças) e é a capital turística da região. Quem sai do Terminal Hidroviário de Belém em busca de belas praias encontra por lá indícios de que o búfalo movimenta toda a economia local, da gastronomia ao transporte de cargas, e está presente em uma grande variedade de estabelecimentos. Estima-se que 80% de todos os criadores do Estado sejam pequenos proprietários com até 200 cabeças, e o mesmo padrão pode ser encontrado na ilha.
A criação de búfalos não envolve apenas os pecuaristas, já que os animais fornecem carne, leite, couro e chifres para restaurantes, artesãos, queijeiros e outros tipos de estabelecimento. Em uma oficina de curtume na cidade, bolsas e calçados são vendidos após um processo que dura mais de dois meses e envolve o tratamento da pele, o tingimento com tinta extraída da casca da Árvore do Mangue e o alisamento do couro antes de ser trabalhado pelo artesão. Os animais são utilizados até mesmo pela polícia de Soure em suas patrulhas, algo que maravilha os turistas e tranquiliza os habitantes. Dóceis, os bichos pastam soltos pela cidade e não é raro encontrar moradores que criam um no quintal de casa.
Uma curiosidade sobre os búfalos é que são excelentes nadadores; há, inclusive, uma lenda que diz que os bichos chegaram pela primeira vez ao Marajó na última década do século XIX depois que um navio que os levaria da Indochina à Guiana Francesa naufragou perto da costa. Mas a versão oficial e verificável é a de que os búfalos começaram a ser importados da Itália e da Índia na década de 1930.  Ainda assim, é a lenda que ajuda a explicar o nome exótico das raças (Carabao, Murrah, Jafarabady, entre outros) aos turistas que, rindo, aceitam a versão lúdica sem contestar.


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