segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Carnaval e sua história


O carnaval é um conjunto de festividades populares que ocorrem em diversos países e regiões católicas nos dias que antecedem o início da Quaresma. Embora centrado no disfarce, na música, na dança e em gestos, a folia apresenta características distintas nas cidades em que se popularizou.

Apesar de ter origem incerta, acredita-se que o carnaval tenha surgido ainda na Antiguidade, por volta do ano 520 a.C., na Grécia. Era uma festa realizada em torno do deus Dionísio em celebração à chegada da primavera e da fertilidade. Nos primeiros anos da era cristã, a comemoração tornou-se popular na Roma Antiga.

No Brasil, teve início, em torno do século XVII, quando os portugueses introduziram o entrudo, jogo típico da região de Açores e de Cabo Verde: era uma brincadeira em que as pessoas jogavam, uma nas outras, água, ovos e farinha.

Inspirados nos costumes da França, os primeiros bailes mascarados realizados no Brasil – de que se tem notícia até hoje – aconteceram no Rio de Janeiro, em 1835, no Café Neuville, localizado no largo do Paço, e no Hotel D´Italia, na então rua Espírito Santo, perto da Praça Tiradentes.  Nesses bailes, dançavam-se ritmos não brasileiros como a valsa e a polca.

As sociedades carnavalescas, formadas pelas elites, surgiram por volta de 1855, assim como os ranchos e os cordões, estes formados pelas camadas sociais mais populares. Os corsos tornaram-se muito populares no início do século XX: neles as pessoas desfilavam fantasiadas em carros decorados. A festa foi crescendo e, com a ajuda das marchinhas carnavalescas, tornando-se cada vez mais popular e animada.

Por volta da década de 1910, os corsos surgiram, com os carros conversíveis da elite carioca desfilando pela avenida Central, atual avenida Rio Branco. Tal prática durou até por volta da década de 1930.

Em São Paulo, em 1912, o corso , que até então acontecia no centro da capital, foi transferido para a Avenida Paulista, a primeira rua asfaltada da cidade. "Não será mais na praça da República, mas na avenida Paulista que se realizará o corso e batalha de flores do carnaval deste ano", noticiou o Estado.

As famílias desfilavam nos carros enfeitados. O motorista e o chefe da família iam nos bancos da frente e a mãe no banco de trás, sentada entre as filhas solteiras. Era uma fila de alegria dentro dos automóveis. Nas primeiras décadas, só os mais ricos tinham carros, mas pelos anúncios do jornal nota-se que muitos foliões menos abastados alugavam os carros (preferencialmente os conversíveis) para participarem do cortejo carnavalesco.

Depois da Paulista, o corso se espalhou também para os bairros. Para alguns historiadores o fim do corso começou na década de 1930, quando os carros passaram a ter capota fixa. Para outros, entretanto, o costume perdeu a graça quando se popularizou demais, quando a classe média invadiu o corso com caminhões e caminhonetes, espantando as elites e fazendo a moda cair.

As marchinhas de carnaval surgiram também no século XIX, e o nome originário mais conhecido é o de Chiquinha Gonzaga, bem como sua música O Abre-alas. O samba somente surgiria por volta da década de 1910, com a música Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida, tornando-se ao longo do tempo o legítimo representante musical do carnaval.

Ao longo do século XX, o carnaval popularizou-se ainda mais no Brasil e conheceu uma diversidade de formas de realização, tanto entre a classe dominante como entre as classes populares.

Entre as classes populares, surgiram as escolas de samba na década de 1920. As primeiras escolas teriam sido a Deixa Falar, que daria origem à escola Estácio de Sá, e a Vai como Pode, futura Portela.

As escolas de samba e o carnaval passaram a se tornar uma importante atividade comercial a partir da década de 1960.

O carnaval, além de ser uma tradição cultural brasileira, passou a ser um lucrativo negócio do ramo turístico e do entretenimento. Milhões de turistas dirigem-se ao país na época de realização dessa festa, e bilhões de reais são movimentados na produção e consumo dessa mercadoria cultural.


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